Conheça a incrível evolução do futebol dos Estados Unidos
Há pouco mais de 20 anos, logo após a realização da Copa do Mundo nos Estados Unidos, muitos acreditavam que a tendência seria de um crescimento gigante do futebol no país. Mas não foi bem assim. O evento foi marcante, mas a onda de atração passou, e o futebol nos EUA só se tornaria relevante algum tempo depois.
Nesse período, no entanto, uma incrível evolução transformou o patamar da modalidade na América do Norte. Antes, meros coadjuvantes, os americanos levaram a seleção masculina a uma final da Copa das Confederações, enquanto a seleção feminina enfileirava títulos mundo afora.
Como isso aconteceu?
Não foi do dia para noite, mas baseando-se em características importantes do próprio país que os Estados Unidos ganharam muito terreno no futebol. Hoje, com uma liga grande e estruturada, força no continente e confiança na universidade, eles conseguem atrair um interesse nunca antes visto por lá.
E, neste artigo, vamos entender melhor como aconteceu toda essa mudança no futebol nos EUA, e o quanto isso pode servir como exemplo para o próprio Brasil. Confira!
O ponto de mudança: a Major League Soccer (MLS)
Dois anos após a Copa do Mundo, em 1996, uma drástica mudança se deu na principal divisão do futebol nos Estados Unidos. O modelo falido da NASL (North American Soccer League), com times sofrendo prejuízos anualmente e pouco interesse de público, pedia uma reviravolta.
Com ligas e associações exemplares ao redor, como a NBA, NFL, MLB e a NHL, o futebol precisava ser gerido de forma semelhante, como um negócio. Então, assim foi feito, e a NASL se tornou a MLS (Major League Soccer).
Grosso modo, a MLS é como uma empresa. Tem uma gestão liderada por um CEO, e comissários e funcionários que administram com maestria todo o sistema da liga.
Assim, como ocorre em outras ligas americanas, os times são franquias independentes, que recebem um valor igual nos contratos de televisão, possuem tetos salariais que precisam equilibrar, e são controlados por donos e acionistas, que prezam pela sustentabilidade do negócio.
Tudo é colocado na ponta do lápis — e funciona.
A criação de uma cultura
Além da gestão funcional da liga, o sucesso do futebol nos EUA passa pela proximidade dos times com a sua comunidade. Identidade visual, visitas em instituições de caridade, escolas, hospitais, características pessoais dos atletas — tudo isso contribui com a criação da cultura do time.
E essa divulgação atrai um público que começa a enxergar aquele time como um representante próximo da sua cidade ou estado, uma organização com a qual existe identificação e pertencimento, independentemente do esporte praticado.
Sem dúvida, um diferencial muito bem explorado pelas equipes nos departamentos de comunicação e marketing.
O jogador designado
Chamando atenção em todo o mundo do futebol por sua organização, bons salários e, principalmente, pela qualidade de vida oferecida em boa parte das cidades americanas, um novo fenômeno surgiu: o jogador designado.
O que, antes, era praticamente uma utopia, agora fazia com que estrelas mundiais do futebol começassem a se interessar pela oportunidade de jogar nos Estados Unidos.
E, como esses jogadores são trunfos para a expansão da liga e do futebol no país, a MLS criou uma forma com que cada clube atraia um ou dois grandes jogadores para seu elenco, flexibilizando o espaço para salário desses jogadores e explorando sua imagem para ganhar interessados em todo o mundo.
Foi assim que craques como Thierry Henry, David Beckham, Didier Drogba, Kaká, Andrea Pirlo, entre outros foram jogar na MLS. Jogadores consagrados, com bastante dinheiro, realizados na carreira e com família constituída, que enxergam os Estados Unidos como um ótimo lugar para terminar a carreira.
Assim, todo mundo sai ganhando, principalmente o futebol nos EUA.
O olhar para a universidade: a NCAA
Sem uma categoria de base bem constituída nos clubes, a aposta do futebol é no atleta universitário. E a National Collegiate Athletic Association — comumente conhecida como NCAA — é a liga que coordena o cenário esportivo universitário em todas as modalidades.
Muitos atletas são observados pelos clubes na NCAA e acabam escolhidos pelo Draft, a seleção de novos jogadores por parte dos clubes, nos mesmos moldes da NBA e NFL. Na universidade, inclusive, o futebol feminino é mais forte que o masculino.
As bolsas escolares atraem os maiores potenciais para os programas esportivos universitários. Por isso, uma carreira acadêmica sólida e talento no campo são praticamente um passaporte para o futuro — seja dentro de campo ou no mercado de trabalho.
Assim, do início da adolescência até o ensino médio, prospectos são instruídos para manter boas notas e praticar esportes — sim, no plural: um estudante pode jogar futebol americano, futebol, basquete, e definir seu principal interesse somente quando for para a universidade.
A experiência universitária acaba entregando para o esporte melhores pessoas e atletas, muitas vezes, já formados e com alternativas além do esporte.
O futebol ainda é subjugado pelas preferências americanas entre os homens, como o basquete e o futebol americano, criando mais espaço para estrangeiros que, nesse intercâmbio, valorizam os programas universitários, somando para o fortalecimento da modalidade.
E entre as mulheres, como dissemos, o futebol é de alto nível, entregando jogadoras prontas para a NSWL, a liga principal feminina.
A eficiência do futebol feminino
O futebol feminino dos Estados Unidos está para o futebol como o Brasil está para o futebol masculino. A seleção feminina norte-americana é a maior campeã mundial, com três títulos, além de somar quatro medalhas de ouro olímpicas. Elas são incríveis!
O país também tem algumas das maiores jogadoras da história, como Mia Hamm, Abby Wambach, Alex Morgan e Carli Lloyd. O Brasil pode até se orgulhar de ter a maior de todas, a Marta — que, atualmente, joga no Orlando Pride, nos Estados Unidos. Mas a vantagem para por aí: em todo resto, os Estados Unidos goleiam.
Afina, são ligas profissionais, de formação, semiprofissionais, amadoras e até de futebol indoor para o inverno, que condensam jogadoras dos 14 anos até o profissional e que estão em atividade o ano inteiro, em competições de alto nível.
Sem dúvida, esse é um sistema de futebol feminino que serve como exemplo a ser seguido. Está sob a jurisdição da US Soccer Federation, que também controla a seleção — o ápice que coloca em campo o melhor das melhores do futebol nos EUA.
O sucesso do futebol nos EUA
A média de público da NSWL é de 5 mil pessoas. Pense: qual foi a última vez que um jogo do Campeonato Brasileiro Feminino teve 5 mil pessoas na torcida? Será que já houve isso, uma vez sequer?
Na MLS, a média beira 20 mil pessoas por partida — na ocupação dos estádios, os EUA (91% por jogo) ficam atrás somente da Inglaterra e da Alemanha, outras potências do futebol. E o faturamento dos clubes sobe exponencialmente a cada ano, assim como o interesse local.
Não há dúvidas de que essa evolução do futebol nos EUA se deu por conta de uma simples realidade do país, quando o assunto é esporte: organização. Dificilmente, eles igualarão a paixão ou o talento do futebol sul-americano, ou mesmo o status do futebol europeu, mas não deixarão de tentar.
Enfim, o futebol nos EUA, e o seu crescimento ao longo dos últimos anos oferecem lições em que o Brasil poderia se espelhar. Imagina só juntar todo o potencial esportivo brasileiro com a gestão e organização americana — o salto de qualidade seria absurdo, não é mesmo?
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Quais foram as referencias bibliográficas nessa pesquisa?
Outro fator crucial p/ o soccer estar crescendo: oa pais estão evitando que seus filhos pratiquem os esportes considerados “violentos”, os que têm mt incidência de “head concussion” (futebol americano e hockey principalmente). Então o soccer entrou como concorrente, considerado um esporte leve. Até 12 anos as crianças não podem sequer cabecear a bola (é lei pelo país).